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quarta-feira, 22 de junho de 2011

Basquete

22/06/2011 15h07 - Atualizado em 22/06/2011 16h59

Magnano defende Larry e ainda não sabe quais ‘soldados’ se apresentarão

Técnico da seleção masculina explica convocação do armador americano e admite dúvidas sobre a presença dos jogadores da NBA no dia 4 de julho

Por João Gabriel RodriguesSão Paulo

Esperança e dúvidas. São essas as palavras de ordem na seleção de Rubén Magnano que vai lutar por uma vaga nos Jogos de Londres-2012. A menos de duas semanas da apresentação do grupo que disputará o Pré-Olímpico de Mar Del Plata no fim de agosto, o treinador argentino recebeu a imprensa em um hotel na zona sul de São Paulo, na tarde desta quarta-feira. Mostrou convicção ao explicar a polêmica convocação do americano Larry Taylor, mas admitiu que não sabe se poderá contar com os quatro brasileiros da NBA.

- Minha preocupação hoje é conhecer pouco a lista de jogadores que vão se apresentar no dia 4 de julho. Se você sabe com qual soldado vai poder contar, se prepara para atuar com esse soldado. Mas hoje tenho minhas dúvidas, claro - reconhece o técnico.

Magnano durante coletiva da seleção de basquete (Foto: João Gabriel Rodrigues / GLOBOESPORTE.COM)Magnano admite até convocar outros jogadores (Foto: João Gabriel Rodrigues / GLOBOESPORTE.COM)

Principal surpresa da convocação, Larry foi elogiado pelo treinador. Magnano acredita que o armador do Bauru mostrou em quadra no último NBB capacidade para disputar o Pré-Olímpico.

- Ele tem todas as condições físicas, técnicas e táticas para ser considerado e convocado para a seleção. Ainda não é naturalizado, mas a convocação passa por uma condição de quadra. Eu ouvi a possibilidade de sua naturalização e quis ficar de olho nele. Já avaliei (a possibilidade de não conseguir a dupla-nacionalidade) e creio que ele, como outro armador, vai brigar pela vaga nessa posição. A posição não está garantida para ninguém. Espero que seja um esforço bem feito, que seja válido. Não fizemos o esforço por fazer. Espero que acabe bem para que ele tenha condições de lutar pela vaga.

Mundial Basquete Leandrinho Varejão Brasil x Argentina (Foto: reuters)Leandrinho e Varejão: dúvidas sobre os jogadores
brasileiros da NBA (Foto: Reuters)

Magnano afirma que sabia das chances de não contar com todos os convocados. A possibilidade, no entanto, abre brecha para que o treinador chame outros nomes para o grupo da seleção.

- Se eu vir que preciso convocar algum outro jogador, não tenho problemas em conversar com ele para que participe dos treinos e tenha as mesmas chances dos outros. Como foi no Mundial, quando o JP Batista foi chamado para o lugar do Nenê. Não creio que teria problema convocar outro jogador para ocupar esses lugares.

Principal surpresa da convocação, Larry ainda espera que seu processo de dupla nacionalidade seja confirmado. Os casos dos brasileiros que atuam na NBA também é complicado. Ala-pivô do Cleveland Cavaliers, Anderson Varejão ainda se recupera de uma cirurgia para reparar o rompimento do tendão do tornozelo direito. Leandrinho, do Toronto Raptors, Tiago Splitter, do San Antonio Spurs, e Nenê, do Denver Nuggets, também não garantiram a presença na competição.

No dia 4 de julho, os atletas vão se apresentar à comissão técnica, em São Paulo, para dar início à preparação. Os treinos serão no clube A Hebraica. O Pré-Olímpico, no fim de agosto, em Mar del Plata, rende duas vagas para os Jogos de Londres-2012. Os Estados Unidos, campeões mundiais, não disputam o torneio, o que deixa Brasil e Argentina, a dona da casa, como favoritos às duas vagas.

Confira outros trechos da entrevista de Magnano:

Larry Taylor x brasileiros
Se formos levar em conta só os números, não vamos falar o que ele fez. Há coisas que são muito importantes. É um jogador interessante. É um jogador que, fisicamente, é muito dotado para sua posição. Claro, a quantidade de assistências por jogo muito importante. E é superior a outros que vem competindo. Por isso ele vai.

Larry Taylor Bauru basquete NBB (Foto: Sérgio Domingues / Divulgação)Larry Taylor ganhou elogios do técnico da seleção:
(Foto: Sérgio Domingues / Divulgação)

Deficiência brasileira na armação
Eu creio que isso acontece por conta da filosofia de jogo do basquete brasileiro nos últimos anos. São muito poucos armadores e muitos jogadores com bom arremesso. Talvez seja porque tenha se focado muito o aspecto ofensivo. É um jogo muito mais aberto e menos de controle, em que aparece a figura de condutor de jogo. O problema não é o arremesso. Se não arremessa, não vence a partida. O problema é quando se arremessa. Aí, aparece a tática de jogo, pilar do que eu busco para a seleção. Creio que a minha filosofia é de que o jogador veja o que está acontecendo. O arremesso é apenas uma parte do jogo.

Shamell, também americano, foi cogitado?
Não. Creio que devemos ter um pouco de otimismo, se não vamos fazer uma equipe de importados. Vamos trabalhar mais para que saia uma base maior. Na sub-19, há um par de alas que podem dar certo, podem virar jogadores interessantes.

Conversa com Nenê
Ele tem muita vontade de jogar pelo Brasil. O que ele tem são problemas de contrato e pessoais. Não sei se todos sabem, mas ele está noivo e vai ser pai, acho que por volta da terceira semana de julho. Teria que resolver essa situação para jogar o Pré-Olímpico.

Leandrinho e Varejão
Espero que o Leandrinho esteja ótimo. Se ele tinha que fazer a operação e não o fez, tem que fazer a pergunta para ele. O Anderson vai se apresentar e vai ser avaliado. Temos de ver como está sua recuperação e quais são as possibilidades de ficar como componente da equipe. Se não der tempo, sem dúvida vai ficar fora.

Base do Mundial da Turquia
Apesar da posição que terminamos (nono lugar), confio muito nos atletas, porque vivi sua preparação dia a dia. Por isso, foram convocados novamente.

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