Na década de 1980, um goleiro alourado despontou no cenário nacional. Em
pouco tempo, construiu a fama de pegador de pênaltis e mostrou para milhares de
pessoas que nem só os atacantes podiam ser ídolos. Batizado em homenagem ao
craque que foi uma muralha com as camisas de Internacional e Atlético-MG,
Antônio Taffarel seguiu os passos do xará famoso e, sob as traves, hoje defende
a seleção de Futebol de 5 do Brasil.
Por influência do pai, o paulista jogou no gol desde pequeno. Na meta
integrou as equipes de base de vários times do interior do estado e chegou a
disputar a Copa São Paulo de Juniores de 2006. Logo após tornar-se profissional,
desistiu da carreira nos gramados para se dedicar à faculdade de Educação
Física. Na universidade, uma amiga o apresentou ao esporte que o faria chegar à
seleção. Na modalidade, o goleiro é o único atleta em quadra que enxerga.
- Quando conheci, vi que era algo sério, que não tinha nada de trabalho
social. É um jogo importante e difícil como o futebol convencional. Na verdade,
acho até mais difícil, porque a área de atuação do goleiro é menor, os jogadores
chegam bem perto para chutar. É também mais imprevisível pela ação deles em
quadra, pelo jeito como carregam a bola e chutam. Nossa ação precisa ser
constante em termos de atenção e posicionamento – explicou.
Nesta terça-feira, na estreia verde e amarela nos Jogos Parapan-Americanos de
Guadalajara, o Brasil goleou o Uruguai por 5 a 1. A menos de cinco minutos para
o fim da partida, Taffarel repetiu a cena comum ao arqueiro que inspirou seu
nome: pegou duas penalidades e segurou o placar para a seleção.
- Graças a Deus consegui as duas defesas. É uma situação de jogo e, sempre
que acontecer, temos que estar preparados. Para o goleiro é muito importante o
posicionamento, e nos pênaltis ele (Taffarel) se destacava. É o gol do goleiro.
Quando fazemos este tipo de defesa é quando temos mais destaque, a hora em que
ficamos mais felizes no jogo. Não é imprevisível. Está todo mundo prestando
atenção em você, esperando para ver o que vai acontecer, e é bem legal quando
sai a defesa.
Apesar da boa atuação, Taffarel deve seguir na reserva – nesta terça ele
entrou na vaga de Fávio de Vasconcelos na segunda etapa. O próximo desafio
brasileiro em Guadalajara será contra El Salvador, Às 12h (16h de Brasílía), no
Estádio de Hockey.
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