Olimpiadas 2016

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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Paralimpíadas Rio 2016

13/09/2012 08h00 - Atualizado em 13/09/2012 08h00

Com sete medalhas em Londres, Time Rio prevê Jogos grandiosos em 2016

Atletas celebram vitórias de Londres e já projetam novas conquistas para a próxima edição dos Jogos: ‘Competir no Brasil será inesquecível’

Por Túlio MoreiraRio de Janeiro

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As 43 medalhas conquistadas pela delegação brasileira nos Jogos Paralímpicos de Londres colocaram o país no sétimo lugar do ranking geral, posição alcançada pela primeira vez na história da competição. O Time Rio, projeto da prefeitura do Rio de Janeiro em parceria com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), contribuiu para o feito inédito, com sete medalhas: um ouro, três pratas e três bronzes. Os velocistas Felipe Gomes, Lucas Prado e Jhulia Santos, o arremessador Jonathan Santos e o nadador Phelipe Rodrigues fazem parte do grupo de 18 atletas paralímpicos e dois atletas-guia contemplados pela ação, que oferece condições e infraestrutura de treinamento de alto nível.

Com o início do ciclo para os Jogos do Rio, em 2016, o CPB espera que a ideia, que já está presente em São Paulo, alcance mais cidades brasileiras. A meta, claro, é intensificar a preparação para a próxima edição do evento e fazer mais bonito ainda dentro de casa. O convênio firmado com a prefeitura carioca tem duração inicial de um ano, mas o desempenho surpreendente dos atletas em Londres deve garantir a prorrogação pelos próximos quatro anos, com orçamento de R$ 2,2 milhões por ano.

Ao lado dos atletas-guia, Felipe Gomes, Lucas Prado, Jhulia Santos e Jonathan Santos exibem suas medalhas (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com) (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)Ao lado dos atletas-guia, Felipe Gomes, Lucas Prado, Jhulia Santos e Jonathan Santos exibem suas medalhas (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)

- Agora é preciso montar uma categoria de base e descobrir novos atletas. Nós vamos ficando cada vez mais velhos, então é preciso renovar. Os atletas que surgirem daqui pra frente também serão responsáveis por conquistar medalhas em 2016 - afirma o mato-grossense Lucas Prado, dono de medalhas de prata nos 100m e 400m T11.

Julia Santos exibe bronze conquistado nos 100m (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)Julia Santos exibe bronze conquistado nos 100m
(Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)

O recordista mundial dos 100m e 200m acredita que o legado dos Jogos Paralímpicos disputados no Brasil só será realmente válido se determinar a construção de mais instalações esportivas e incentivar o surgimento de novos atletas. A opinião é compartilhada pela paraense Jhulia, que fez sua estreia em Paralimpíadas na edição deste ano e subiu ao pódio dos 100m com uma medalha de bronze.

- É uma motivação extra. Todo mundo vai treinar muito. Sem dúvida, o foco deste novo ciclo é 2016. As competições que serão disputadas até lá, como campeonatos mundiais e os Jogos Parapan-Americanos de Toronto, em 2015, servirão de preparação, vão apontar nossos erros e onde precisamos melhorar. Vai ser muito diferente competir em casa, perto da família, dos amigos e do público brasileiro - prevê a velocista de 20 anos.

Jonathan Santos, o ‘Romarinho’, conquistou o bronze no lançamento de disco (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)Jonathan Santos, o ‘Romarinho’, conquistou o
bronze (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)

Fã de esportes radicais, Jonathan Santos também marcou presença no pódio, com o bronze no lançamento de disco F40. No ano passado, o atleta recebeu o diagnóstico de que precisaria se afastar do esporte por causa de uma lesão nos joelhos. Mas uma órtese, apoio especialmente desenvolvido para que ele descanse as articulações na maior parte do dia, permitiu a reviravolta e garantiu o passaporte de Jonathan para Londres. Conhecido como ‘Romarinho’, o alagoano quebrou sete recordes mundiais em 2010, quatro no lançamento de disco e três no arremesso de peso. Apesar de ter ficado sem medalha no peso, o atleta traça planos ainda mais ambiciosos para 2016:

- Estou pensando em competir no lançamento de dardo também. Vou tratar dos meus joelhos. Sei que não vai ser fácil, mas vou treinar muito. Tem o Mundial da França no ano que vem, o Parapan em 2015, mas o foco é o Rio. Vai ser muito diferente competir no Brasil, com a vibração do nosso povo. Eu vou treinar com toda a minha força - projeta o atleta.

Após competir lesionado em Pequim-2008 e ficar sem medalhas, Felipe Gomes afastou os fantasmas da edição anterior e levou o ouro nos 200m e o bronze nos 400m T11. O velocista de Campos dos Goytacazes, no interior do Rio de Janeiro, já notou um interesse maior por parte do público brasileiro e acredita que o apoio se converterá em mais recursos e investimentos para os atletas paralímpicos até 2016.

- Até Pequim, o público brasileiro conhecia um ou outro atleta paralímpico, e não tinha interesse em acompanhar os Jogos. Este ano, com a transmissão pela televisão e internet, todo mundo torceu junto. O reconhecimento está muito maior. E é um ciclo. Com o aumento no interesse do público, as empresas decidem investir mais, e esses recursos acabam se transformando em medalhas para o Brasil - analisa o velocista.

Felipe Gomes e o atleta-guia Chocolate mostram medalhas conquistadas em Londres (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)Felipe e o atleta-guia Chocolate mostram medalhas de Londres (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)

Polêmicas de Londres precisam ser ‘arquivadas’

Como toda competição de grandes proporções, as Paralimpíadas de Londres foram repletas de polêmicas e episódios controversos. Mas os atletas do Time Rio garantem que é preciso deixar os acontecimentos no passado e manter o foco na próxima edição. Na final dos 200m T11, Jhulia Santos chegou a herdar a medalha de bronze da chinesa Juntingxian Jia, desclassificada por ter sido empurrada pelo atleta-guia. Com a penalidade aplicada à adversária, a paraense completou o pódio brasileiro, que já tinha Terezinha Guilhermina, com o ouro, e Jerusa Geber, medalha de prata. Mas o Comitê Paralímpico Internacional reconsiderou e confirmou o resultado favorável à chinesa.

Felipe Gomes e Jhulia Santos fazem parte do Time Rio (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)Felipe Gomes e Jhulia Santos fazem parte do Time
Rio (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)

- Eu fiquei abalada, mas não perdi a cabeça. Virei a página e decidi manter o foco na minha prova seguinte. E deu certo, ganhei o bronze nos 100m. Todo mundo toca nesse assunto, mas para mim acabou quando saiu a decisão dos organizadores. Apaguei da minha memória - afirma a velocista.

Lucas Prado também foi alvo de polêmica na edição deste ano. O atleta foi acusado publicamente pelo campeão olímpico Joaquim Cruz, ouro nos 800m em Los Angeles-84 e prata em Seul-88, de omitir sua verdadeira condição física. De acordo com Joaquim, que se tornou treinador da equipe paralímpica de atletismo dos Estados Unidos, o velocista não é totalmente cego e deveria ser reclassificado. Lucas rebate as críticas e afirma que sofre perseguição de Cruz por conseguir resultados superiores aos dos atletas treinados por ele.

- O esporte te proporciona vários amigos, mas inimigos também. Ele já havia pedido a minha reclassificação em Pequim. Fiz vários exames, de forma espontânea, e estou à disposição dos médicos. Não tenho o que esconder. Ele me acusa de ter trocado os óculos. Troquei mesmo, mas com o consentimento do árbitro. Os óculos tinham os emblemas dos meus patrocinadores, o que não é permitido pelas regras. Por isso troquei por outros, que ainda foram totalmente cobertos com fita preta. Essa perseguição é normal. Quando você se destaca, acaba ferindo o ego das pessoas. Isso vai continuar acontecendo - define Lucas.

Lucas Prado mostra as medalhas de prata dos 100m e 400m (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)Lucas Prado mostra as medalhas de prata dos 100m e 400m (Foto: Túlio Moreira / Globoesporte.com)

Polêmicas à parte, os atletas do Time Rio devem descansar este mês antes de reiniciar a rotina de preparação para os Jogos de 2016. O convênio mantido entre a prefeitura do Rio e o CPB garante o pagamento de bolsa em dinheiro para atletas e treinadores, além do fornecimento de material esportivo e estrutura de treinamento. Na cerimônia de hasteamento da bandeira paralímpica no Palácio da Cidade, o presidente do CPB, Andrew Parsons, elogiou os atletas que integram o projeto. Os medalhistas foram homenageados pelo prefeito Eduardo Paes e Felipe Gomes foi encarregado de hastear a bandeira.

- Quero agradecer em nome de todos os atletas do Time Rio. Esse apoio foi fundamental para a conquista dessas medalhas e para o bom desempenho em Londres. Estou muito alegre pela oportunidade de hastear a bandeira do meu país - disse Felipe na ocasião.



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