Amizade x negócio: EUA e Alemanha decidem futuro entre ligações afetivas
Protagonistas no Recife, Joachim Löw e Jürgen Klinsmann trabalharam juntos na seleção alemã entre 2004 e 2006. Outros cinco “germânicos” defendem americanos
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Há uma pequena Alemanha dentro do imenso país que são os Estados Unidos. Não se trata de alguma cidade perdida no meio do mapa, mas sim num universo de 23 jogadores e sua comissão técnica. Eles estão no Brasil, provavelmente falam “obrigado” como qualquer gringo e decidirão nesta quinta-feira, às 13h (de Brasília), na Arena Pernambuco, o seu futuro na Copa do Mundo num misto de amizade versus negócio. O duelo, é claro, será diante da versão original, também abraçada pelos laços afetivos construídos nos últimos anos.
São dois os protagonistas de todo o cenário pré-jogo: Joachim Löw e Jürgen Klinsmann. O primeiro, 54 anos, trabalhou como auxiliar do segundo, 49 anos, entre 2004 e 2006 na seleção alemã. Klinsmann pediu as contas depois do Mundial que resgatou o orgulho alemão e abriu o caminho para Löw até mesmo tornar o futebol ainda mais atrativo. Falta o título para chancelar o trabalho do treinador - algo que só será possível caso os germânicos confirmem o favoritismo no Grupo G e avancem às oitavas de final.
O empate já garante a Alemanha em primeiro, mas uma derrota combinada com goleadas de Gana ou Portugal pode jogá-la para segundo na chave ou - ainda mais cruel - eliminar mais um europeu precocemente do torneio. A definição pode sair do saldo de gols, o que neste caso favorece o time de Thomas Müller e companhia: +4, contra +1 dos Estados Unidos, -1 de Gana e -4 de Portugal. Africanos e lusos se enfrentam na mesma hora, em Brasília.
São dois os protagonistas de todo o cenário pré-jogo: Joachim Löw e Jürgen Klinsmann. O primeiro, 54 anos, trabalhou como auxiliar do segundo, 49 anos, entre 2004 e 2006 na seleção alemã. Klinsmann pediu as contas depois do Mundial que resgatou o orgulho alemão e abriu o caminho para Löw até mesmo tornar o futebol ainda mais atrativo. Falta o título para chancelar o trabalho do treinador - algo que só será possível caso os germânicos confirmem o favoritismo no Grupo G e avancem às oitavas de final.
O empate já garante a Alemanha em primeiro, mas uma derrota combinada com goleadas de Gana ou Portugal pode jogá-la para segundo na chave ou - ainda mais cruel - eliminar mais um europeu precocemente do torneio. A definição pode sair do saldo de gols, o que neste caso favorece o time de Thomas Müller e companhia: +4, contra +1 dos Estados Unidos, -1 de Gana e -4 de Portugal. Africanos e lusos se enfrentam na mesma hora, em Brasília.
DUPLA SE COMPLETA
Klinsmann e Löw continuam amigos. Criaram um sentimento forte, foram por algum tempo como Batman e Robin - o técnico, de perfil mais motivador, sacudia o vestiário com gritos quando necessário e parecia ter habilidades de um psicólogo que desabrochou depois de encerrar a brilhante carreira de jogador; o auxiliar, apegado à tática, moldava o time em campo para tornar a vida de Miroslav Klose ainda mais fácil. E pensar que Joachim foi a terceira escolha para o cargo depois que Holger Osieck e Ralf Rangnick disseram não...
- Não se preocupe, nós arrumaremos alguém para você – disse o então dirigente Franz Beckenbauer a Klinsmann à época.
SAIBA MAIS
Hoje eles têm como dever separar o joio do trigo. Inclusive sob a sombra de um possível “jogo de compadres”, já que o empate favorece ambos. Tal possibilidade foi lembrada em cada uma das entrevistas coletivas na Alemanha desde que os Estados Unidos sofreram o gol de Varela, de Portugal, nos acréscimos no último domingo. Os europeus são constantemente atrelados ao episódio conhecido como “A Vergonha de Gijón”, quando alemães e austríacos jogaram para eliminar a Argélia da Copa de 1982, na Espanha.
- Somos muito amigos, temos uma forma de pensar parecida, somos da mesma região. Passamos dois anos juntos e fizemos uma excelente Copa no nosso país. Mas agora deixamos os nossos telefones um pouco de lado. Depois da Copa, voltaremos a nos falar e visitar. Ele (Löw) desenvolveu uma equipe com confiança, qualidade, bom estilo de jogo e muitos jovens jogando em velocidade. É muito legal ver a seleção da Alemanha, e tenho muito orgulho. A Alemanha tem força para buscar o título – afirmou Klinsmann.
- Somos muito amigos, temos uma forma de pensar parecida, somos da mesma região. Passamos dois anos juntos e fizemos uma excelente Copa no nosso país. Mas agora deixamos os nossos telefones um pouco de lado. Depois da Copa, voltaremos a nos falar e visitar. Ele (Löw) desenvolveu uma equipe com confiança, qualidade, bom estilo de jogo e muitos jovens jogando em velocidade. É muito legal ver a seleção da Alemanha, e tenho muito orgulho. A Alemanha tem força para buscar o título – afirmou Klinsmann.
Os dois já se enfrentaram na mesma situação, mas por um amistoso em junho de 2013, no que ainda é a última derrota dos alemães (4 a 3 em Washington). Dias antes do confronto, Jogi Löw concedeu entrevista na qual afirmava trocar e-mails regularmente com Klinsmann, até mesmo telefonemas de uma hora para outra. O discurso desta quarta-feira já foi um pouco diferente diante de um compromisso profissional tão importante.
- Eu acho que os dois, Jürgen e eu, podemos nos libertar disso. É importante para a mídia, um tema bonito, espécie de um grande duelo, mas para mim trata-se de um jogo contra outra seleção. É o terceiro jogo na fase de grupos, e esse terceiro jogo é decisivo. Será que vamos avançar para a próxima fase ou não? Isso não tem tanto a ver com o técnico, tem a ver com a tarefa diante de nós. Por isso estamos concentrados. Nós nos completávamos, marcávamos almoço ou jantar sempre que nos encontrávamos, falávamos sobre futebol à vontade. Isso não será afetado independentemente do resultado – opinou Löw.
UM PÉ LÁ, OUTRO CÁ
Para outros cinco americanos, definitivamente não é só mais um jogo. Jermaine Jones, Fabian Johnson, Timmy Chandler, John Brooks e Julian Green são todos filhos frutos do relacionamento de pais americanos com mães alemãs em bases militares dos Estados Unidos na Alemanha. Quando o volante Jones nasceu, em 1981, por exemplo, quase 250 mil tropas americanas estavam no país - graças ao cenário político da Guerra Fria.
Klinsmann, morador de Orange County, na Califórnia, desde o fim de sua carreira, em 1998, foi o responsável por pinçar cada um desses atletas. Jones é o mais velho deles, de história emblemática: reencontrou o pai, preso por tráfico de drogas, apenas quando já jogava pela seleção americana - ele tomou a decisão em 2010 depois de acumular decepções com a Alemanha graças ao regulamento da Fifa, que permite a naturalização se o atleta não tiver feito uma partida em alguma competição oficial.
Jones atualmente defende o Besiktas, da Turquia, mas tem no currículo passagens por Eintracht Frankfurt, Bayer Leverkusen e Schalke 04, por onde atuou por sete temporadas. A Bundesliga também é a terra de Fabian Johnson, do Borussia Mönchengladbach, e campeão europeu sub-21 em 2009 com Manuel Neuer, Jérôme Boateng, Mats Hummels, Sami Khedira, Mesut Özil, entre outros. John Brooks, autor do gol da vitória dos EUA sobre Gana, defende o Hertha Berlim; Timothy Chandler joga no Eintracht Frankfurt; e Julian Green defende o Bayern de Munique.
- Para todos esses com raízes alemãs, o jogo contra a Alemanha será bastante especial, pode ter certeza – garantiu Jones.
Klinsmann, morador de Orange County, na Califórnia, desde o fim de sua carreira, em 1998, foi o responsável por pinçar cada um desses atletas. Jones é o mais velho deles, de história emblemática: reencontrou o pai, preso por tráfico de drogas, apenas quando já jogava pela seleção americana - ele tomou a decisão em 2010 depois de acumular decepções com a Alemanha graças ao regulamento da Fifa, que permite a naturalização se o atleta não tiver feito uma partida em alguma competição oficial.
Jones atualmente defende o Besiktas, da Turquia, mas tem no currículo passagens por Eintracht Frankfurt, Bayer Leverkusen e Schalke 04, por onde atuou por sete temporadas. A Bundesliga também é a terra de Fabian Johnson, do Borussia Mönchengladbach, e campeão europeu sub-21 em 2009 com Manuel Neuer, Jérôme Boateng, Mats Hummels, Sami Khedira, Mesut Özil, entre outros. John Brooks, autor do gol da vitória dos EUA sobre Gana, defende o Hertha Berlim; Timothy Chandler joga no Eintracht Frankfurt; e Julian Green defende o Bayern de Munique.
- Para todos esses com raízes alemãs, o jogo contra a Alemanha será bastante especial, pode ter certeza – garantiu Jones.
TIMES REPETIDOS. OU QUASE ISSO...
A chance de ao menos dois deles atuarem é enorme. Se mantiver a mesma lógica utilizada do primeiro para o segundo jogo, Klinsmann não deve mexer no time que empatou com Portugal. Depois da vitória sobre Gana na estreia, o centroavante Altidore, lesionado, foi o único a perder a vaga. O meia Zusi assumiu o posto e deve ser mantido ao lado de Bradley e Bedoya, com o capitão Dempsey mais adiantado na função de atacante.
O esquema é o 4-2-3-1. Altidore se recupera da lesão e deve ficar à disposição, caso os EUA avancem às oitavas. Na coletiva de imprensa da véspera, Klinsmann não teceu qualquer comentário sobre a escalação.
- Nós nos preparamos de forma muito detalhada para este jogo. Fizemos o dever de casa e estamos muito confiantes. Seremos agressivos, vamos entrar com tudo. Queremos que a Alemanha tenha uma grande batalha.
O mesmo se espera do outro lado. Apesar dos sustos com Boateng e Khedira, a Alemanha terá todos os 23 jogadores à disposição. Joachim Löw escondeu pela primeira vez a escalação, mas a tendência é que os 11 que atuaram contra Gana permaneçam.
A única modificação possível comentada é a entrada de Bastian Schweinsteiger no lugar do próprio Khedira, que se recuperou de um desconforto no joelho esquerdo. O problema é que o volante do Bayern tampouco está nas condições físicas ideais, o que deixa um tom de suspense até a confirmação oficial. A linha de defesa com quatro zagueiros está mantida, assim como a presença do capitão Philipp Lahm no meio-campo, mesmo após as críticas depois do jogo de sábado.
*Participaram da cobertura: Elton de Castro, Lucas Fitipaldi, Lucas Liausu, Sergio Gandolphi e Victor Canedo
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