Coreia do Sul tenta milagre contra Bélgica, que “esquece” jogo bonito
No fechamento do Grupo H, asiáticos tentam vaga improvável nesta quinta, em São Paulo. Europeus descartam rótulo de sensação e só querem resultados
Poucas coisas podem motivar mais uma seleção nacional do que o próprio orgulho. É por ele que Coreia do Sul e Bélgica se enfrentam nesta quinta-feira, às 17h (horário de Brasília), na Arena Corinthians. Asiáticos buscando uma classificação improvável, mas querendo dar esperanças a um povo que terá de acordar na madrugada para assistir ao jogo. Europeus já classificados, mas ainda sem convencer depois de a seleção ter sido considerada candidata a sensação antes da Copa do Mundo. Ao lado de Argélia e Rússia, que jogam em Curitiba no mesmo horário, sul-americanos e belgas fecham a primeira fase do torneio.
Os torcedores na Coreia do Sul que quiserem dar um último apoio à seleção vão precisar acordar às 5h da manhã para ver o jogo – o fuso do país é de 12 horas a mais em relação ao horário de Brasília. Ainda lutando contra o sono, terão de fazer contas para acreditar na classificação milagrosa. O time de Hong Myung Bo somou apenas um ponto. Precisa vencer os belgas, torcer por vitória da Rússia ou empate, e depois tirar a diferença no saldo de gols.
Do outro lado, bem mais tranquilo, o técnico Marc Wilmots não parece preocupado em provar o rótulo de sensação que a seleção belga ostenta desde o fim das Eliminatórias – oito vitórias em dez jogos nesta etapa, e um futebol de encher os olhos com jogadores jovens e bem colocados em grandes clubes europeus. Bastante prático, ele quer apenas que a Bélgica some nove pontos (hoje tem seis) e garanta o primeiro lugar do grupo.
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Nem o craque está garantido
Hong Myung Bo tem muitas dúvidas para escalar a Coreia do Sul. Insatisfeito com o desempenho na derrota por 4 a 2 para a Argélia, ele falou grosso. Avisou que, se os jogadores não cumprirem suas funções táticas, a equipe será derrotada de forma impiedosa pela Bélgica. Nem mesmo o atacante Park Chu Young, craque e mais famoso do time, tem posto garantido. Os treinos fechados durante a semana impediram qualquer pista sobre quem entra em campo.
- Park Chu Young é importante para o equilíbrio geral da equipe, não achei que tenha jogado tão mal nos primeiros jogos, mas vamos avaliar sua situação. Acho que não criamos oportunidades suficientes para ele – lamentou Hong Myung Bo.
Para os sul-coreanos, uma vitória sem a classificação é capaz de resgatar parte do orgulho ferido. Apenas parte, porque a expectativa no país era de repetir a campanha de 2010 – chegou às oitavas de final e foi eliminado pelo Uruguai. Hong Myung Bo sente a pressão, mas tem a moral de quem disputou quatro Copas pela seleção da Coreia do Sul. Em 2002, ele era o capitão na melhor campanha da história da seleção – quarto lugar.
Jogar bonito?
A difícil virada sobre a Argélia e o gol salvador de Origi contra a Rússia deram a classificação à Bélgica. Não deram ainda o respaldo necessário para Marc Wilmots trabalhar com o sossego que deseja. Questionado diariamente sobre as apresentações abaixo das expectativas, ele dá de ombros. Nem mesmo o meia Hazard, do Chelsea, tem sido poupado das críticas de jornalistas belgas. Wilmots deu um recado claro.
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- O importante é jogar e passar para as oitavas. Se deixarem espaços, somos perigosos. Independentemente de jogarmos bem ou mal, o que importa é fazer um ou dois gols e ganhar a partida. Para vocês (imprensa) não precisa ser tudo extraordinário e lindo – reclamou o técnico.
Contra a Coreia do Sul, os belgas não querem correr riscos. Quatro jogadores estão fora por questões médicas: Kompany, Vermaelen, Alderweireld e Witsel. Outros podem seguir esse caminho: Hazard, Lukaku, Mertens... Quem jogou mais pode ter a chance de ser poupado. Nas oitavas de final, apesar do desdém de Wilmots, um futebol burocrático não será suficiente para garantir a sobrevivência desta promissora geração na Copa do Mundo.
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